Falecimento de Escorel, nesta madrugada, enluta o Tribunal de Contas da Paraíba

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“Não há, agora, entre nós, condições emocionais para o julgamento de processos”. A observação foi feita pelo conselheiro André Carlo Torres Pontes ao tornar declaratória a 2.106ª Sessão Ordinária do Tribunal de Contas da Paraíba programada para a manhã desta quarta-feira (7) e cuja pauta foi transferida para sessão extraordinária, na próxima segunda-feira, a partir das 9 horas.

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Presidente em exercício, ele lamentava o falecimento, durante a madrugada, do conselheiro aposentado Antonio Carlos Escorel de Almeida. Ato seguinte, decretou luto oficial por cinco dias, período ao longo do qual a Bandeira do TCE permanecerá hasteada a meio mastro. Todos os membros da Corte assinaram, conjuntamente, depois disso, Voto de Pesar à família enlutada.

Primeiro a se pronunciar, o conselheiro Arnóbio Viana revelou que o prévio conhecimento da gravidade do estado de saúde do amigo não o deixou menos abalado ante a notícia de sua morte. “Mesmo assim, eu me senti profundamente abalado, por lastimar o desaparecimento do ser humano que ele foi”.

Descreveu Escorel como homem possuidor de uma cultura multifacetada. “Poucos sabiam história como ele. Era capaz de dar aulas a filósofos sobre filosofia e de assim fazê-lo com profundidade. Tinha grande embasamento em administração e discutia este assunto com qualquer um do ramo. Entendia de economia e de agricultura. Mas dava exemplos de simplicidade. Não fazia questão de que outras pessoas decantassem os próprios valores. Os dele se expressavam em si mesmos”, comentou.

Depois de enumerar os diversos cargos públicos ocupados por Escorel, o conselheiro Arnóbio Viana concluiu: “Ele os desempenhou com desenvoltura e competência. O zelo pela coisa pública foi seu sacerdócio. O fato é que estamos todos mais pobres. A Paraíba vai demorar a ter outro homem do quilate e da importância de Escorel”.

O conselheiro Nominando Diniz contou que sua primeira aproximação com Antonio Carlos Escorel deu-se quando, ainda muito jovem, acompanhava os tratos do pai (que também foi deputado e de quem herdou o nome) com o governo do Estado.

“Era um homem muito cordato e atencioso. Mesmo depois de aposentado, esteve sempre presente em todos os eventos do Tribunal”, lembrou. Em seguida, propôs a destinação de um dos espaços físicos do TCE à memória de Escorel.

Outro a se pronunciar, o conselheiro Fernando Catão fez ver que o processo de transição governamental, ao fim da gestão do governador Tarcísio Burity, foi menos traumático em decorrência da condução de Escorel. “Tudo teria sido muito pior, não fosse ele o condutor daqueles entendimentos”, acentuou. Também se associou à ideia de dar a uma das dependências do TCE o nome de Antonio Carlos Escorel.

O conselheiro Fábio Nogueira contou que, tão logo fora nomeado para o cargo de conselheiro, ouviu do pai sobre quem deveria procurar para aconselhamentos e orientações. “Escorel era uma das pessoas a mim indicadas. Na Assembleia Legislativa, quando deputado, tive a feliz oportunidade de me aproximar dele. Na presidência deste Tribunal tive a honra de recebê-lo diversas vezes e, assim, a felicidade de consultá-lo. A lembrança que dele carrego é a melhor possível. É, ainda, a de um homem profundamente cortês e educado”, disse.

A honradez, a dignidade e a decência foram as marcas de Antonio Carlos Escorel também acentuadas pelo conselheiro Marcos Costa. “Nossa reserva de fundadores desta Casa se esgota, o que me entristece e comove”, comentou.

A procuradora geral Sheyla Barreto Braga de Queiroz  fez ver que o Ministério Público Especial aplaudirá toda e qualquer iniciativa do Tribunal de Contas do Estado em homenagem ao conselheiro agora falecido.

Ela contou que foi Escorel quem a informou do êxito no concurso público para o cargo que hoje ocupa. “Foi ele o mensageiro desta boa nova para mim e para a colega Isabella Barbosa Marinho Falcão, cuja família mantém com a dele grandes laços de amizade. Entusiasta do controle externo, o dr. Escorel nunca deixou de nos prestigiar”, concluiu.

Aos membros e servidores da Corte, aos advogados e gestores públicos presentes à sessão plenária, o conselheiro André Carlo informou sobre o velório, a partir das 11 horas, e o sepultamento, quatro horas depois, no Cemitério do Parque das Acácias.

PERFIL – Nascido no município paraibano de Guarabira, em 31 de julho de 1931, Antonio Carlos Escorel de Almeida, formou-se em Direito pela Universidade estadual da Guanabara.

Entre as principais atividades, exerceu as de promotor público concursado da Comarca de Cabaceiras, secretário de Estado da Administração Geral (de 1966 a 1971) e, interinamente, de secretário  extraordinário do Planejamento e Coordenação Econômica e, ainda, secretário do Interior e Justiça.

Integrou o quadro de membros fundadores do Tribunal de Contas do Estado, para o qual foi nomeado em 1º de março de 1971. Ao afastar-se do TCE, veio ocupar, em 1º de março de 1988, o cargo de secretário da Administração e, logo após, a chefia da Casa Civil do Governador Tarcísio Burity.

Ele deixou viúva a sra. Maria Yolanda Bezerra de Almeida, com quem teve os filhos José Airton, Maria Helena, Osório Adroaldo (que secretaria os trabalhos do Pleno do TCE), Gerusa Maria e Maria Solange.

 

Ascom/TCE-PB

(07/12/2016)

 

 

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