Cientista diz que crise hídrica gera oportunidades para energias alternativas no Nordeste

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Em razão do indiscutível potencial à produção de energia fotovoltaica e eólica – justificado pela incidência solar e dos ventos o ano inteiro-, o Nordeste pode fornecer, de sobra, toda energia que o Brasil consome. E ter, ainda, condições de alcançar perfeitamente um estágio de grande prosperidade, num futuro não tão distante, de algumas décadas apenas.

A observação, feita nesta quinta-feira (1) durante o seminário ‘A Crise Hídrica no Semiárido Paraibano’, promovido pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, é do climatologista Paulo Nobre, (foto) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, ao falar sobre os impactos das mudanças climáticas para o semiárido do Nordeste.

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A crise no sistema hídrico, frisou em sua palestra, pode representar uma oportunidade exemplar para maior penetração de fontes energéticas alternativas na região que já possui diversos empreendimentos explorando, principalmente, essas duas fontes.

Ele exemplificou que o potencial de geração de energia solar do Nordeste supera em 33 vezes todo o consumo nacional de energia no ano de 2014. Nesta mesma comparação, demonstrou que apenas Paraíba, isoladamente, tem potencial de fornecer ao país o dobro do consumido naquele ano.
Para que um novo ciclo regional de desenvolvimento sócio-econômico se torne realidade, ele advertiu que é indispensável o enfrentamento de três grandes desafios: “preservar os serviços ambientais da caatinga (gerando emprego e renda para replantio e preservando a umidade do solo; explorar o imenso potencial solar fotovoltaico do Nordeste (gerando emprego e renda, com a fabricação, instalação e manutenção).

Um terceiro desafio é, segundo enumerou, “sanar o débito educacional” do país. Significa, no caso, conforme explicou, priorizar e investir na educação para o século XXI, no ensino que foca o acompanhamento dos avanços tecnológicos mundiais, úteis para todas as áreas.

Paulo Nobre mostrou estudos comparativos do quanto vem caindo o custo de se recorrer a alternativas energéticas como solar e eólica. Lembrou, a propósito, que em 1980 um módulo de placa fotovoltaica capaz de gerar 8 kW custava vinte dólares, hoje custa apenas oito centavos de dólar. “Só em áreas degradadas, o Brasil tem um imenso potencial de geração”.

Demonstrou, ainda, que os futuros geradores de energia eólica multiplicarão por dez sua capacidade atual. E, passarão dos atuais 100m, para alturas de até 250m, quase o tamanho da torre Eiffel. Apenas um destes será capaz de gerar 20.000 kW.

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REGIÃO PECULIAR – Com experiência na área de Geociências, e ênfase em Climatologia, o também doutor e pesquisador do INPE, Lincoln Muniz (foto), falou em seguida sobre ‘Anatomia da seca no Nordeste e previsão climática sazonal’. Ele apresentou dados de séries históricas das chuvas, explicou como o fenômeno El Nino tem impacto direto sobre o clima do Nordeste e lembrou características peculiares da região.

E destacou, ainda, os impactos da ação do homem no contexto da região semiárida, defendendo em seguida que os governos, em todas as esferas administrativas, dotem de melhor estrutura técnica, de pessoal e equipamentos, os órgãos responsáveis pela fiscalização e gestão dos recursos hídricos. “São eles que fornecem os subsídios para tomada de decisão pelos governantes”.

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QUALIDADE DA ÁGUA – Em seguida, a professora Weruska Brasileiro (foto), do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UEPB, expôs sobre o tema “A qualidade atual da água dos reservatórios de abastecimento da Paraíba”.

A água disposta ao consumo dos paraibanos padece dos mesmos problemas de qualidade da que é fornecida nas demais regiões do país; embora, ao lado do vizinho estado de Pernambuco, enfrente, segundo ela, “uma situação crítica”. Ambos enfrentam escassez de água, e, mais ainda, de água de qualidade.

Em comum, os problemas na qualidade da água para o consumo humano trazem sempre os seguintes componentes: “microrganismos patogênicos; material em suspensão; matéria orgânica natural ( substancias húmicas); cianobactérias e toxinas ; agroquímicos; subprodutos organo-halogenados; e hormônios, antibióticos e outros fármacos”.

Na sua opinião, tanto no estado quanto no país de forma geral, o maior problema continua sendo a poluição dos mananciais, agravada pela escassez de esgotamento sanitário. Mas ela enumera, também, outros agentes com grande contribuição poluidora: lançamento de efluentes industriais, deposição inadequada de resíduos sólidos, derramamento de petróleo e derivados; e, ainda, as atividades de mineração.
Ascom TCE-PB

(01/09/2016)

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