Centro Cultural Ariano Suassuna recebe exposição do projeto Vidas Refugiadas


Em parceria com o NEPGED – Núcleo de Estudos e Pesquisas Jurídicas sobre Gênero e Direito (UFPB), LABIRINT – Laboratório Internacional de Investigação em Transjuridicidade (UFPB) e a ILA Brasil – Internacional Law Association, o Centro Cultural Ariano Suassuna realiza no próximo dia 08/10, às 18h, no Salão de Exposições Linaldo Cavalcanti, a exposição Vidas Refugiadas, fruto de projeto do mesmo nome, que retrata, em fotografias, o cotidiano de mulheres de diferentes nacionalidades que hoje vivem no Brasil. A exposição conta, entre outros, com o apoio da ACNUR – Alto Comissariado da ONU para refugiados.

Na Paraíba, sua vinda para o Centro Cultural Ariano Suassuna foi autorizada pelo Conselheiro Arthur Cunha Lima, Presidente do Tribunal de Contas do Estado e incentivador das atividades desenvolvidas pelo CCAS em favor da sociedade e da cultura brasileira.

A abertura da exposição será seguida de um Concerto da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, sob a Regência do Maestro Laércio Diniz, o mesmo da Orquestra Filarmônica do Brasil. A entrada é franca.

EXPOSIÇÃO –  O projeto Vidas Refugiadas é uma iniciativa da Mestre em Direito, Gabriela Cunha Ferraz, e o fotógrafo Victor Moriyama,e  a iidéia surgiu – conforme contam – na mesa de uma livraria, em São Paulo, quando se conheceram. O ambiente de confiança que se formou instantaneamente permitiu que a proposta de um novo projeto emergisse e, a partir desse dia, envolveram-se em um trabalho que os motivou e modificou intensamente.

O tema do refúgio vem sendo abordado em pesquisas acadêmicas e relatórios midiáticos, sempre a partir da perspectiva masculina e raramente com foco na mulher. Por ser minoria, diante das 60 milhões de pessoas deslocadas, a mulher refugiada acaba herdando a invisibilidade já habitualmente experimentada pelas mulheres brasileiras, fazendo com que suas dificuldades sejam menos ouvidas, suas particularidades pouco respeitadas e sua feminilidade completamente ignorada. O resultado desse processo de anulação limita seu acesso a direitos, amplia sua exclusão social, impede sua plena integração e provoca uma perigosa repetição das violações já vivenciadas em seu país de origem.

As refugiadas são mulheres que não tiveram outra opção senão abandonar suas histórias e locais de pertencimento para salvar sua vida ou preservar direitos fundamentais, como a liberdade. Diferente da imigração que é facultativa e motivada por razões diversas, o refúgio é a única rota de salvação para aquelas que sofreram diferentes tipos de violência. Essa violência pode acontecer de forma generalizada, como na Síria, ou individualmente contra mulheres que passam a ser perseguidas em razão da sua posição social, costumes religiosos, identidade sexual ou apenas pelo fato de ser mulher.

Em territórios que experimentam situações de guerra e conflito armado, constatamos que as mulheres são sempre as que sofrem as mais graves violações e a maior exposição. Exposição da sua casa, da sua família e do seu próprio corpo que, não raramente, passa a ser mera moeda de troca no conflito. A objetificação dessas mulheres passa, muitas vezes, desapercebida pelas autoridades internacionais e poucas providências são tomadas para garantir a manutenção da sua dignidade. Em busca de salvar sua própria vida, essa mulher precisa fugir e é levada a tomar decisões duras, envolvendo a manutenção da sua liberdade, o futuro dos filhos e a preservação da sua família.

Distante do seu país de origem, o processo de inserção em uma sociedade completamente distinta é doloroso e gradual. Os desafios encontrados nessa nova realidade, somados à insuficiência de políticas públicas adequadas, provocam um cenário de instabilidade que prejudica o recomeço que pretendia viver no país de acolhida. O sentimento de perda, a nostalgia, as incertezas e a vulnerabilidade experimentada, evidenciam o seu não pertencimento àquele novo local, mas, regressar tampouco é uma opção.

Confrontados com esse dilema e no intuito de auxiliar na integração das mulheres refugiadas que, hoje, vivem no Brasil, o projeto Vidas Refugiadas  pretende abrir um espaço único para que elas possam se expressar, apontando os obstáculos do seu novo cotidiano e os caminhos trilhados na busca pela sobrevivência.

QUEM É QUEM –
Gabriela Cunha Ferraz é graduada em Direito pela Universidade Salvador e Mestre em Direito Comparado e Estudos Europeus pela Universidade de Estrasburgo. Atuou com a ONG Médicos sem Fronteiras na República Democrática no Congo e como advogada na Caritas Arquidiocesana de São Paulo, trabalhando com a acolhida de refugiad@s. Foi pesquisadora do IPEA e Ministério da Justiça no tema de Migrações e Refúgio e é colunista do site de notícias Justificando. Trabalhou como Coordenadora de Advocacy da ONG ITTC – Instituto Terra, Trabalho e Cidadania e Advogada da Pastoral Carcerária, sendo, atualmente, Coordenadora do CLADEM – Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres no Brasil.
Victor Moriyama trabalha como fotojornalista desde 2008. Formado em Comunicação Social (Cásper Líbero), estudou Sociologia na Universidade Paris X, Nanterre, em Paris, onde teve os primeiros contatos com a fotografia documental. Suas reportagens fotográficas abordam temáticas humanitárias, conflitos urbanos e questões socioambientais. Produz reportagens regulares para os jornais The Guardian, Le Monde e El País. É fotógrafo stringer baseado em São Paulo da agência Getty Images e colaborador permanente da revista National Geographic Brasil e do Greenpeace Brasil. Trabalhou nos jornais Folha de São Paulo, e teve passagens pelas agências de notícias internacionais Reuters e AFP. Seus trabalhos foram publicados em veículos como: The New York Times, Le Monde, Al Jazeera, The Guardian, Time Magazine, Boston Globe, Wall Street Journal, Washington Post entre outros. É membro fundador e fotógrafo Staff da agência fotográfica Xibé Image, com foco no mercado editorial nacional e internacional.

A ORQUESTRA – A duradoura parceria entre do Tribunal de Contas do Estado, através do Centro Cultural Ariano Suassuna, e a Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, garante o concerto do próximo dia 08/10, em seguida a abertura da exposição Vidas refugiadas e terá a regência do Maestro Laércio Diniz, tendo em seu repertório, entre outros, a apresentação da Sinfonia número 6 de Bethoven, Ney Rosauro (1952): Concerto para vibrafone e orquestra n.1, tendo como solista João Victor de Oliveira Figueiredo.

INTEGRANTES DA ORQUESTRA

Primeiros Violinos: Clovis Pereira Filho (Spalla), Ramon Feitosa (Concertino), Marcelo Vasconcelos, Murilo Callou, Priscila Kogiaridis Ewald, Júlio Carlos Rocha, Ian Correira, Paula Dantas.
Segundos Violinos: Everton Praxedes(Chefe de Naipe), Thialyson Moura (Assistente), Tiago Tenório, Luana Barros da Costa, Conan Davidson, Adriana Almeida
Violas: Samuel Espinoza (Chefe de Naipe), Daniel Espinoza (Assistente), Annamélia Reis, Helen Lavor, Thiago André Rodrigues, Hermeson Praxedes.
Violoncelos: Jorge Rossi (Chefe de naipe), Leornardo Semensatto (Assistente), Isadora Câmara, Amanda Reis.
Contrabaixos: Hector Jorge Rossi ( Chefe de Naipe), Carlos Gomez Mejia (Assistente), Pedro Porto, Carlos Rozendo.
Flautas: Renan Rezende (Chefe de Naipe), Caroline Galvão Gondim, Gustavo Ginés de Paco (Flautim).
Oboés: João Johnson dos Anjos. (Chefe de Naipe) jaqueline Cyntia Ladislau, (Oboé e Corne Inglês)
Clarinetes: Isabel G. dos Santos (Chefe de Naipe), Eduardo de Lima.
Fagotes: Aderaldo dos Santos (Chefe de Naipe) (Bruna Heloísa do Bonfim
Trompas: Robson Gomes da Silva (Chefe de Naipe) Lucas Ângelo Figueiredo, Fabiano da Silva, Adriano Lima.
Trompetes: Wellington Dino de Lima (Chefe de Naipe) Emanoel Barros, João Batista Marques.
Trombones: Alessandro dos Santos (Chefe de Naipe), Rogério Pereira Vicente, Jonathas Souza Silva
Tuba: Abinoan Elias dos Santos (Chefe de Naipe)
Tímpano, Percussão e Bateria: Wagner Santana (Chefe de Naipe), João Alexandre Medeiros Lins
Teclado: Glauco Fernandes
Equipe Técnica: Maestro Titular e Diretor
Artístico: Laércio Diniz
Maestro Assistente: Gustavo Ginés de Paco
Coordenador Musical /Consultor: Samuel Espinoza Galvez
Gerente-Executivo: Hector Jorge Rossi
Diretora Administrativa: Nayara Alves de Medeiros
Inspetora: Daniela Alejandra de Paco
Arquivo Musical: Leonam Braga, Isis Gonçalves Macena
Montagem: Flaviano Galvão de Lima, Fábio Galvão de Lima
Pedro Paulo Ferreira

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