TCE-PB abriga sessão solene da Assembleia Legislativa para entrega de medalha a Josué Sylvestre

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A Assembleia Legislativa da Paraíba realizou sessão solene, nesta quinta-feira (11), no Auditório Celso Furtado do Centro Cultural Ariano Suassuna, pertencente ao Tribunal de Contas do Estado, para a entrega da Medalha de Epitácio Pessoa, a mais elevada honraria do Poder Legislativo Estadual, ao jornalista, escritor e historiador Josué Sylvestre.

Solicitante da sessão e presidente dos trabalhos encerrados por volta das 19h30, o deputado Bruno Cunha Lima explicou que a escolha do local decorreu do fato de o hoje conselheiro do TCE Fábio Nogueira haver sido autor da homenagem, em março de 2006, quando detinha o cargo de deputado estadual. O acontecimento atraiu bom público, em meio ao qual representantes da classe política, da Academia Paraibana de Letras, religiosos, parentes e amigos de Josué.

Após a formação da mesa – para a qual também foi convidado o presidente do TCE, conselheiro Arthur Cunha Lima – a Sessão Solene prosseguiu com o cântico do Hino Nacional pelo Coral de Servidores da Assembleia Legislativa. Houve apresentação, ainda, da Orquestra Pastor Silvino Silvestre, da Assembleia de Deus de Campina Grande (para um hino religioso) e preces conduzidas pelo pastor Hilquias Paim, um dos dirigentes da Convenção Batista Paranaense. Atualmente vivendo em Curitiba, Josué Silvestre integra a Academia Evangélica de Letras do Brasil.

O deputado Bruno Cunha Lima passou a presidência da sessão ao colega Janduhy Carneiro (que então secretariava os trabalhos) para a primeira saudação ao homenageado, de quem enalteceu o caráter, a honradez, o talento literário e os conhecimentos da cena política estadual e nacional. “Como ele mesmo diz, Josué é o meu melhor amigo mais velho. Faço parte da terceira geração familiar que aprofunda com ele os vínculos de amizade. E a ele também devo minha formação política”, observou.

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“O Josué Sylvestre que, naqueles passos iniciais da vida, vi aconselhar e orientar políticos já então experientes, é o mesmo a quem recorro nos momentos de indecisão ou, melhor dizendo, em que preciso fazer escolhas importantes. Aconteceu, por exemplo, quando me confrontei com a possibilidade de abandonar a atividade política para ingressar no Tribunal de Contas da Paraíba. Josué e Geraldo Nogueira, juntos, foram meus primeiros e principais aconselhadores e, de certo modo, responsáveis pela minha opção”, lembrou o conselheiro Fábio Nogueira, na saudação ao amigo.

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Dono do terceiro e último pronunciamento, Josué Sylvestre tratou de avisar: “Já fiz muitos discursos na vida. Agora, o que eu vou fazer é conversar com vocês”. E passou a lembrar, bem a seu estilo, passagens da própria existência, além de fatos relacionados à história de Campina Grande e da Paraíba. Personagens importantes do cenário político, cultural e administrativo do Estado e do País vieram à tona, para encantamento de seus ouvintes, com a força de sua prodigiosa memória.

Em vários momentos, ele identificava parentes e amigos mais próximos em meio à plateia, citando-os nominalmente. Revelou-se “fragilizado” em razão da ausência de seres queridos, entre eles Dona Consuelo, a esposa falecida, ao agradecer a todos pela homenagem.

Além dos deputados Bruno Cunha Lima e Janduhy Carneiro, dos conselheiros Arthur Cunha Lima, Fábio Nogueira e Juarez Farias (este último aposentado) compuseram a mesa o ex-deputado Ramalho Leite e os vereadores Elisa Virgínia e Nailton Sylvestre.

Encerrada a sessão solene, todos participaram de coquetel no hall do Centro Cultural Ariano Suassuna, onde Josué Sylvestre também fez a apresentação de seus últimos livros. Ali, a dupla de cantadores Luciano Leonel e Erasmo Ferreira entreteve o público

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Fábio Nogueira exalta o talento e a dimensão do homenageado

Autor, quando deputado estadual, em março de 2006, da propositura da Medalha de Epitácio Pessoa para Josué Sylvestre o hoje membro do Tribunal de Contas da Paraíba, conselheiro Fábio Nogueira, fez o seguinte pronunciamento:

Senhoras e Senhores que privilegiam este momento ímpar.

Os pais se incubem da orientação dos filhos, se encarregam da sua formação, apontam-lhes o melhor caminho. A vida lhes mostra um mundo real, que serve de parâmetro para as escolhas, feitas ao longo dela.

 A conjunção dessas forças, pais e vida, que influenciam as nossas decisões, me trouxeram até aqui. Foi pelas mãos de Geraldo Nogueira que, ainda vislumbrando o mundo sob uma perspectiva juvenil, fui apresentado a Josué Sylvestre. A minha visão de adolescente enxergava naquele homem, com quem todos se aconselhavam, a quem todos ouviam com detida atenção, uma espécie de ídolo. Participar daqueles encontros, por incrível que possa parecer, incluía-se entre os meus programas favoritos.

 A vida coube o encargo de lapidar aquela admiração infantil, de transformá-la em sólida e verdadeira amizade. O Josué Sylvestre que, naqueles passos iniciais da vida, vi aconselhar e orientar políticos já então experientes, é o mesmo a quem recorro nos momentos de indecisão ou, melhor dizendo, em que preciso fazer escolhas importantes. Aconteceu, por exemplo, quando me confrontei com a possibilidade de abandonar a atividade política para ingressar no Tribunal de Contas da Paraíba. Josué e Geraldo Nogueira, juntos, foram meus primeiros e principais aconselhadores e, de certo modo, responsáveis pela minha opção.

 O homem que acompanhei, enquanto menino, aconselhando, orientando no campo espiritual e no aspecto político, transmitindo seus exemplos de integridade moral e ética, mantém-se firme nessa missão Sua longevidade remonta aos anos de 1950. Desde então, não houve uma única campanha política que não tivesse a decisiva participação de Josué Sylvestre. Foi e tem sido amigo pessoal e confidente de personagens que escreveram e escrevem a história da Paraíba, a exemplo de José Jofilly, Argemiro de Figueiredo, Ruy Carneiro, Humberto Lucena, Newton Rique, Petrônio Figueiredo, Raymundo Asfora, Fernando Cunha Lima, Ronaldo Cunha Lima, Cássio Cunha Lima, Ivandro Cunha Lima e de tantos outros. É tarefa, aliás, da qual se incumbe, ainda hoje, com magistral sabedoria.

 Dentre as múltiplas habilidades de Josué merece destaque a de haver sido companheiro de mesa de famosos notívagos, dos quais destaco Agnelo Amorim, Orlando Tejo, Ronaldo Cunha Lima e Raymundo Asfora, sem nunca ter bebido.

 É jornalista, conferencista, historiador e escritor, membro da Academia de Letras e do Instituto Histórico de Campina Grande, presidente emérito da Academia Evangélica de Letras do Brasil (instituição que presidiu por oito anos), titular da Associação Nacional de Escritores em Brasília, sócio correspondente da Academia Paraibana de Letras, autor de 14 livros, em meio aos quais cito, “Problemas do Brasil à luz da Bíblia”, “Tempo de Rir”, “Da Revolução de 30 à queda do Estado Novo”, “Meio século de vida pública sem mandato, ou com?”, “Nacionalismo e coronelismo” e “Lutas de vida e morte”, todos aclamados pela crítica e  fontes permanentes de pesquisa.

 Josué Sylvestre possui uma inigualável capacidade para conquistar amigos e o mérito de perpetuar amizades. A receita para isto não é secreta, não requer sofisticação. Ao contrário, a simplicidade é o seu principal ingrediente. A técnica, me parece, é estar sempre disponível para ouvir, para analisar situações, para oferecer apoio moral e espiritual. Não tenho dúvidas: os que se espelham em seus exemplos são inúmeros. Os que o admiram são incontáveis.

 Este momento para mim é, ao mesmo tempo, razão de orgulho por encontrar-me na relação dos seus amigos e, também, de indistinta emoção. Sou conduzido, então, a reminiscências.

 Ao elaborar esta saudação fui transportado nas asas da saudade. A lembrança muito viva de Geraldo Nogueira que, com toda a certeza, estaria imensamente feliz em compartilhar este momento, me vem à mente reavivando a dor que a sua ausência provoca. Sou levado ao princípio, já referenciado, desta amizade.

Volto, imediatamente, à realidade, sobressaltado pela imensa responsabilidade que esta saudação, em ocasião tão especial, representa. Como bom amigo, sei que Josué Sylvestre me perdoaria qualquer falha. Mas, me faria uma autorrecriminação perene se, neste instante, fosse incapaz de ressaltar a sua dimensão moral, ética, espiritual. Principalmente, se eu não conseguisse dizer quanto a sua amizade me é preciosa. Se não conseguisse reconhecer quão importante Josué tem sido para mim: uma espécie de referência na construção do meu caráter e, num universo muito mais amplo, quanto ele representa para a Paraíba e os paraibanos.

 Seria igualmente imperdoável ouvidar a imensa importância de Dona Consuelo, do significado dela em sua vida, do companheirismo que se prolongou ao longo de 58 anos, gerando cinco filhos: Luiracy, Josué Júnior, Luciane, Lucyara e Lucimary; dois netos: Josué Terceiro e Hadassa; um bisneto: Gabriel. Eis um belo exemplo de família constituída sob os auspícios do amor.

 Uma presença física faz muita falta, mas, creio, compartilha deste momento na espiritualidade. Acredito que uma vida altruística como a de Dona Consuelo, que irradiava paz e grande sabedoria, não se extingue com a morte. Ela perdura no legado de bondade, de serenidade, de sensibilidade cultivado ao longo de sua existência.

 Por fim, Josué Sylvestre, amigos seus e meus, me ocorre um texto atribuído a Mario Quintana, que, à minha ótica, tem grande simbolismo. Interpreta alguém, como você, que vive uma vida comum, porém alicerçada na resiliência, na obstinação firme e determinada para o bem, para servir sem mensurar distância, nem calcular obstáculos. Se as coisas são inatingíveis, ora, não é motivo para não querê-las. Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!

 Obrigado amigo, pelos ideais éticos e morais que ajudou a firmar em meu caráter. Esta é uma singela homenagem que a Paraíba, por intermédio dos seus representantes, agora capitaneados pelo deputado Bruno Cunha Lima, lhe rende pelo imenso legado cultural, histórico, político, literário que você oferece a todos os paraibanos.

 

Ascom/TCE-PB

(12/08/2016)

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