TCE lastima a perda de Gabimar Cavalcanti para a música e a cultura paraibana

O Tribunal de Contas da Paraíba, reunido na manhã desta quarta-feira (4), aprovou Voto de Pesar pela morte, domingo passado, em Campina Grande, do multi-instrumentista Gabimar Cavalcanti.

Autor da propositura, o conselheiro Fábio Nogueira lembrou, emocionado, passagens da vida de Gabimar, acentuando que a cegueira, aos três anos de idade, não lhe subtraiu o talento nem a capacidade para a execução de instrumentos diversos, embora tivesse no acordeon o de sua preferência.

Na Era de Ouro da Radiofonia Brasileira – observou o conselheiro – Gabimar ganhou projeção, no País, como ganhador do 1º Prêmio Esso Estandarte Brasil entregue pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Pediu ele que o sentimento de pesar da Corte de Contas fosse encaminhado a Kátia Virgínia, “com quem Dagmar dividia o palco e a vida”.

“Desfrutei da amizade e da sonoridade de Gabimar”, observou o presidente do Tribunal de Contas da Paraíba, conselheiro Arthur Cunha Lima que, em seguida, se perguntou: “Como ficará Kátia sem Gabi. Os dois se afinavam na música e na vida”.

Eis, na íntegra, o voto do conselheiro Fábio Nogueira:

Manifestação de Pesar pelo falecimento de Gabmar Cavalcanti Albuquerque

Na noite do último domingo, dia 1º de maio, Campina Grande perdeu um pouco da sua sonoridade, da sua musicalidade. Calaram-se os instrumentos de Gabmar Cavalcanti Albuquerque que, segundo noticiou-se na imprensa paraibana, faleceu em decorrência de um câncer. Era um autodidata da música que, há anos, encantava com a capacidade virtuosa de dedilhar teclados e cordas instrumentais, embora sempre assegurasse uma preferência pelo acordeom.

A deficiência visual de Gabmar Cavalcanti – ele perdeu a visão aos três anos de idade – não o impediu de ser um multi-instrumentista que, mesmo manifestando essa preferência pela sanfona, tocava cada instrumento com igual conhecimento e genialidade.

Prova dessa capacidade ímpar em lidar com a música ocorreu ainda na infância. Em 1954, Gabmar Cavalcanti venceu, em primeira audição, o Prêmio Esso Standard do Brasil. Isto lhe rendeu inúmeras e justas homenagens na Rádio Nacional do Rio de Janeiro que, na denominada era de ouro da radiofonia brasileira, foi o principal veículo de comunicação do Brasil.

Há vários anos, Gabmar Cavalcanti dividia a vida e o palco com a cantora Kátia Virginia, a quem dirijo os meus votos de profundo pesar, extensivos à família do artista e ao povo de Campina Grande, que compartilha da imensa tristeza pela morte desse expoente da música brasileira.

Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras Nogueira

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