Jornal critica, em editorial, propósito de instalação do TCM

O “Jornal da Paraíba”, edição do último domingo, publica o seguinte Editorial acerca do propósito de implantação do Tribunal de Contas dos Municípios paraibanos:

Indecências

Zomba dos paraibanos, de suas vicissitudes e de suas preocupações um conjunto de homens públicos responsáveis, nos últimos dias, por gestos e propósitos indecorosos, para dizer o mínimo.

Não bastasse o quanto já custam ao contribuinte – considerada a soma individual de contracheques e mordomias – eles têm o topete de projetar despesas inaceitáveis, mesmo se o tempo e as circunstâncias fossem melhores.

Nada justifica a idealização de projetos absolutamente desnecessários e ofensivos tanto à decência quanto à economia popular. É o caso do propósito repulsivo da implantação do Tribunal de Contas dos Municípios da Paraíba, um penduricalho que a indignação pública proibirá sob pena de assistir a um ataque criminoso ao Erário.

Desgraçadamente, percebe-se, neste caso, uma voz de comando ainda oculta e soturna. Talvez espere minguar o sentimento de repulsa dos paraibanos a fim de ordenar, alto e bom som, o golpe definitivo contra a Paraíba e sua gente.

Não importa. Os que lhe seguem sem pejo nem prudência talvez já calculem que vale a pena correr o risco da execração popular, se obtiverem, em pagamento, um emprego público vitalício. Difícil não supor que os integrantes da comitiva recém-desembarcada em Fortaleza com o endereço do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (para copiar o modelo) já se vejam empossados do cargo de conselheiros municipais. O olhar atento de toda a Paraíba, decerto, não lhes permitirá o luxo dispendioso e insano.

Mas, justiça seja feita. É preciso reconhecer que Suas Excelências não agem contra os interesses dos que os elegeram somente quando estimulados por comando alheio às próprias hostes, desde que detenha a caneta e a chave do cofre.

Também agem, ofensivamente, de moto próprio. Basta observarmos a ideia asquerosa da construção de uma nova sede para a Assembleia Legislativa. Isso, numa Paraíba em plena travessia de um dos períodos mais graves de sua história moderna, seja em razão da seca inclemente, seja em vista da crise gerada pelos equívocos da política nacional, seja por inconsequências administrativas cometidas, paroquialmente.

De todo modo, Suas Excelências, neste ponto, surpreendem e se superam. Mas resta torcer a fim de que haja entre eles gente com lucidez e espírito público capaz de inibir e refrear os atrevidos, os dispostos a levar às últimas consequências os atos de estupidez pelos quais não deve pagar o povo paraibano.

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