Câmara de João Pessoa entrega honrarias ao presidente do Tribunal de Contas-PB

Conselheiro Arthur Cunha Lima é homenageado com título de Cidadão Pessoense e com as medalhas “Cidade de João Pessoa” e “Ronaldo Cunha Lima”.

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O presidente do Tribunal de Contas da Paraíba, conselheiro Arthur Cunha Lima, recebeu nesta quinta-feira (24), da Câmara Municipal de João Pessoa ( CMJP), o título de Cidadão Pessoense, além das Medalhas “Cidade de João Pessoa” e “Ronaldo Cunha Lima”. É a primeira vez que o Legislativo da Capital confere essas três honrarias, a um só tempo, a uma mesma personalidade pública. A solenidade foi realizada no plenário da Câmara Municipal.

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“Hoje é dia de festa na cidade onde o sol nasce primeiro. A CMJP tem a honra de prestar esta homenagem ao conselheiro, presidente do Tribunal de Contas de nosso Estado, Arthur Cunha Lima, pelo seu extraordinário valor e relevantes serviços prestados à sociedade pessoense. Há 25 anos em nossa cidade, este homem probo realiza grandes feitos com sua militância política, no campo do direito e na assistência social e desempenha um trabalho de excelência no TCE-PB. Esse novo cidadão pessoense é corajoso, amigo, sincero, honesto de mãos limpas e fiel aos seus princípios. A cidade te abraça há 25 anos como você a abraçou e agora você é Arthur pessoense de fato e de direito”, comentou em sua justificativa a autora da propositura,Vereadora Raissa Lacerda (PSD), que ainda fez um relato da trajetória profissional do homenageado e exibiu um vídeo com depoimentos dos netos dele.

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Comovido após assistir a um vídeo em sua homenagem, com depoimentos dos seus sete netos, o conselheiro precisou recorrer, em tom de descontração, ao famoso personagem Chapolim Colorado, do ator mexicano Roberto Bolaños: “E agora, quem vai me socorrer?”. Em seguida, olhando em direção da esposa Fátima e dos filhos e demais familiares sentados às primeiras filas do plenário, iniciou o discurso destacando que, pela forte simbologia, o título de cidadania “fortalece ainda mais os laços da nossa família com a própria história da cidade”.

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Ao referir-se a “Medalha Cidade de João Pessoa”, ele disse que a comenda o enche de orgulho “por estampar o reconhecimento da dedicação e do meu empenho nos serviços que sempre procurei mostrar à essa amada Capital”.
E, igualmente relevante, confessou ele, foi a distinção representada pela “Medalha Ronaldo Cunha Lima”, honraria conferida pela Câmara aos profissionais de vanguarda na sociedade e “que salienta a personalidade jurídica, política, literária e cultural que foi Ronaldo Cunha Lima”, a quem o homenageado dedicou todas as homenagens recebidas naquela ocasião.

Conduzido pelos vereadores Santino (PT do B) , Raoni Mendes (PDT) e Raissa Lacerda (PSD) ao plenário lotado por familiares, amigos, autoridades, conselheiros e servidores do TCE, o presidente Arthur Cunha Lima buscou na literatura e na poesia as referências para um discurso em que, além da gratidão pelas homenagens, externou a reafirmação de princípios éticos e compromissos “por uma sociedade mais justa”.

Por lembrança de um amigo, compartilhou da tribuna, antecedendo ao pronunciamento preparado para a ocasião, uma citação atribuída ao escritor português, e Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago: “Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem a memória, não existimos. E se responsabilidade talvez não mereçamos existir”.

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O retorno a uma tribuna do Legislativo veio marcado, segundo frisou, por “um turbilhão de memórias acumuladas”. E, entre elas, a mais forte e mais presente estava, naquele momento, representada em versos do poeta Ronaldo Cunha Lima, : “De tudo o que dissemos, pelo menos uma palavra vai ficar; Do quanto nós fizemos, pelo menos um pouco de amor há de ficar”.

Na antológica “Oração aos Moços”, de Ruy Barbosa, revelou que buscou a lição para trilhar sempre, desde os bancos da faculdade, pela essência do bom Direito. E citou: “ …Não antepor os poderosos aos desvalidos, nem recusar patrocínio a estes contra aqueles. Não servir sem independência à justiça, nem quebrar a verdade ante o poder…”.
No agradecimento feito à autora das proposituras, o conselheiro Arthur manifestou seu respeito e admiração pelo ex-deputado José Lacerda Neto, pai da vereadora Raissa Lacerda e detentor do mais longevo mandato parlamentar ininterrupto. “Merece ser aplaudido por qualquer Casa legislativa deste país, pois representa uma espécie cada vez mais rara entre os políticos brasileiros”.

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A solenidade foi prestigiada pelo presidente da Casa, vereador Durval Ferreira (PP), que conduziu a solenidade; pelos vereadores Raoni Mendes (PDT), Bosquinho (DEM) e Santino (PT do B); pelo representante do senador Cássio Cunha Lima, o jornalista Laércio Cirne; pelo procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro, representando o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB); pelo presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), deputado estadual Adriano Galdino (PSB) e pelo deputado estadual Arthur Cunha Lima Filho.

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No plenário, presenças dos conselheiros André Carlo Pontes Torres, Arnóbio Viana, Nominando Diniz, conselheiro aposentado Juarez Farias, conselheiro substituto Marcos Costa, procuradoras do Ministério Público de Contas Elvira Samara Pereira de Oliveira e Sheyla Barreto Braga de Queiroz, desembargadores aposentados Raphael Carneiro Arnaud e Plínio Leite Fontes, deputados João Bosco e João Gonçalves, ex-deputado Ramalho Leite por diversas outras autoridades da Capital; além de colaboradores, servidores do TCE-PB , familiares e amigos do homenageado.

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A maestrina do Coral Antônio Leite da CMJP, Socorro Estrela e o preparador vocal e solista, Paulo Brasil, o Paulão, marcaram a solenidade com a execução do Hino Nacional, do Hino Oficial de João Pessoa e das canções “Amigo”, de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos e “Acredite” composição da cantora gospel Jamily.

Leia na íntegra o discurso do presidente do TCE-PB, conselheiro Arthur Cunha Lima.

Senhoras e Senhores

Neste exato momento, em que retorno à tribuna do Legislativo para um discurso, mesmo que de agradecimento, me vem um turbilhão de memórias acumuladas.

A mais forte e mais presente delas é a do Poeta:

“De tudo o que dissemos, pelo menos uma palavra vai ficar;
Do quanto nós fizemos, pelo menos um pouco de amor há de ficar”.

Quero desde já, mesmo que simbolicamente, dividir esse momento todo especial para mim e para minha família, com o nosso poeta Ronaldo Cunha Lima, que tanta falta nos faz.

As láureas que me são concedidas, prensadas no meu itinerário de homem público, têm tripla face.
Ser ‘Cidadão Pessoense’ pelo reconhecimento unânime da Casa de Napoleão Laureano já me comove pela forte simbologia.

A cidadania pessoense fortalece ainda mais os laços da nossa família com a própria história da cidade. Tenho pés e mãos fincadas neste solo e saberei honrar as mais dignas tradições dos seus cidadãos.
Quero dizer a todos. Não fui eu quem decidiu: foi João Pessoa que se fez lugar e morada em mim.
Me sinto em casa, envaidecido ainda mais com a comenda da ‘Medalha Cidade de João Pessoa’, tão cara à esta Casa. Esta comenda me deixa ainda mais orgulhoso, por ela estampar o reconhecimento da dedicação e do meu empenho nos serviços que sempre procurei prestar à essa amada Capital.

Rogo, neste instante, um pouco da mais da generosidade das Senhoras e Senhores. Campina Grande, minha Rainha, sente um sopro de ciúmes. Compreendam. É natural o sentimento da eterna namorada que mora na Borborema.
Mas não posso e não devo renegar os meus agradecimentos eternos à essa terra generosa, que premia o talento, o trabalho e a conduta ética; e que abrigou, com a generosidade característica dos pessoenses, toda minha família.
Será eterna minha gratidão com esta casa legislativa que, a partir de agora, para minha honra e indisfarçável orgulho, me coloca na nobre galeria dos seus homenageados.

Claro que não poderia deixar de agradecer um a um dos senhores vereadores e, em especial, à autora de tão comoventes homenagens, Raíssa Lacerda.

Vereadora, não poderia citar-lhe sem render todo o respeito, admiração e carinho que nutro particularmente por esse símbolo da vida pública paraibana, que se chama José Lacerda Neto, seu pai e meu dileto amigo pessoal.

Detentor individual do mais longevo período de mandato parlamentar sem interrupções, José Lacerda merece ser aplaudido por qualquer casa legislativa deste país. Só este recorde, digno do Guinnes Book, seria o suficiente para ser lembrado. Mas não é apenas uma questão numérica. Ele representa uma espécie cada vez mais rara entre os políticos brasileiros. Homem digno, honesto, trabalhador e que deixou como marca de atuação a sua preocupação pelo bem comum.

Lacerda é da mesma linhagem que era o Poeta.

Por isso, redobro minha alegria ao receber a distinção da ‘Medalha Ronaldo Cunha Lima’, por propositura da filha de José Lacerda e também por aclamação deste plenário.

Sinto-me ainda mais orgulhoso ao saber que estou sendo homenageado, também de forma unânime, pela Câmara Municipal de João Pessoa com tão relevante honraria, destinada aos profissionais de vanguarda com destaque na sociedade. Uma medalha que salienta a personalidade jurídica, política, literária e cultural que foi Ronaldo Cunha Lima.
Cada uma dessas honrarias tem um significado especial para mim e para toda minha família. Divido como minha esposa, Fátima, filhos, netos, genros e nora essas homenagens.

Pauto toda a minha vida pela justiça dos meus atos e das minhas ações.

Desde os verdes anos de minha juventude, vivendo o sonho do futuro nos bancos da Faculdade de Direito, jamais esqueci a lição imortal de Ruy Barbosa, em sua antológica ‘Oração aos Moços’.
“Não antepor os poderosos aos desvalidos,
nem recusar patrocínio a estes contra aqueles.
Não servir sem independência à justiça,
nem quebrar a verdade ante o poder.
Não colaborar em perseguições ou atentados,
nem pleitear pela iniqüidade ou imoralidade.
Não se subtrair à defesa das causas impopulares,
nem a das perigosas, quando justas.
Onde for apurável um grão, que seja, de verdadeiro direito”

Sempre trilhei pela essência desse bom Direito.

Minha luta foi sempre por uma sociedade mais justa. Minha busca segue incessante por um serviço público de qualidade.

Na pessoa do excelentíssimo senhor Presidente do Poder Legislativo de João Pessoa, Durval Ferreira, e da vereadora Raíssa Lacerda, agradeço, emocionado, a todos e cada um dos senhores vereadores, por referendarem as homenagens que ora recebo.

Partilho com todos os meus familiares esse instante único.

Por dever de reconhecimento, divido, sem exceção, com todos servidores e colegas conselheiros do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, os eventuais méritos que motivaram essas comendas.

“Não importa que da despedida não fique nada.
Bastam as outras coisas que já vão ficar.
Do muito que nos vimos, pelo menos um olhar há de ficar.
De tudo o que dissemos, pelo menos uma palavra vai ficar.
Do quanto nós fizemos, pelo menos um gesto vai ficar.
Do quanto nós fizemos, pelo menos um pouco de amor há de ficar.
E pelo que vimos, pelo que dissemos, pelo que fizemos e pelo que amamos,
pelo menos uma lembrança um no outro vai ficar”

Você tinha razão Poeta.

Por isso mesmo, dedico a Ronaldo Cunha Lima essa data histórica da minha vida pessoal.

Senhoras e senhores, este poema foi encontrado na impressora do gabinete do Poeta, quando Ronaldo deixou o Senado da República.

‘O Que Vai Ficar’ é o título deste soneto. Não importa onde você esteja. O que importa é que você estará sempre no meu coração.

Agora lhes digo, Poeta: ficou uma cratera de profunda saudade, mesmo sabendo, daqui da Terra, que Deus o tem em sua infinita glória.

Senhoras e Senhores, muito obrigado!

Ascom/TCE-PB
24/09/2015

 

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