Especialistas dizem que computação em nuvem barateia arquivo de dados

Seminário “Tecnologia da Informação e Comunicação na Gestão Pública” reuniu palestrantes de renome internacional no Centro Cultural Ariano Suassuna, do TCE

Será principalmente por motivação econômica, por causa do custo/benefício melhor que continuar usando os tradicionais Centros de Processamento de Dados, que crescerá muito ainda, no Brasil e no mundo, a opção pelo armazenamento de dados em could computing – a computação em nuvem. A avaliação, feita na quinta-feira (23) durante o seminário “Tecnologia da Informação e Comunicação na Gestão Pública”, é do professor Waldredo Cirne, um dos palestrantes do evento promovido pelo Tribunal de Contas do Estado para gestores de TI na Paraíba.

foto TI- 3

Graduado pela Universidade Federal da Paraíba, em Campina Grande, onde fez mestrado, e doutorado na University Of California San Diego, ele integra, atualmente, o grupo de infraestrutura para computação em nuvem do Google, na California, EUA. O suporte e manutenção dos conhecidos CPDs perdem, comparativamente, segundo explicou, para o recurso de could computing por causa da economia em escala que esta opção propicia. Na prática, é a terceirização de um serviço que dispensa as empresas ou instituições de manterem sua própria infra estrutura física e de equipamentos para armazenar dados em suas sedes ou departamentos.

DSC_7041

VIGILÂNCIA – Essa e muitas outras transformações tecnológicas, segundo destacou o presidente do TCE, Arthur Cunha Lima, exigem compromisso dos gestores para levar a administração pública a acompanhar “um processo contínuo e interativo presente de forma irreversível na vida da sociedade e das instituições”. Em tom de conclamação e alerta aos gestores, ele frisou: “O mundo digital impõe hoje ao gestor o peso da responsabilidade pela vigilância constante de seus atos. Em tempo real, a sociedade exige cada vez mais resultados, mais eficiência e agilidade dos processos de gestão”.

DSC_7164

O corregedor do TCE, conselheiro Fernando Catão, responsável pela coordenação do evento, manifestou por sua vez nos debates a convicção de que o tribunal continuará promovendo seminários com temáticas relevantes como essa. Com isso, destacou ele, atualiza informações, troca experiências, incorpora novas ferramentas tecnológicas e protagoniza melhorias no controle externo sobre a aplicação dos recursos públicos.

foto TI foto 5

O professor Waldredo Cirne, reconheceu, na ocasião, que a segurança para proteção e privacidade dos dados permanece como um dos principais questionamentos quando o assunto é computação em nuvem. Questionado sobre esta “desvantagem”, ele assegurou que, a princípio, a segurança dos grandes provedores que oferecem o serviço de guarda em nuvem – a exemplo do Google, Amazon, IBM, Microsoft, entre outros – é superior a média do que as empresas conseguem, por mais avançados que sejam seus sistemas atuais.

A computação em nuvem tornou possível acessar arquivos e executar diferentes tarefas diretamente pela internet, já que os dados não se encontram em um computador específico, mas sim em uma rede. Uma vez devidamente conectado ao serviço online, é possível desfrutar suas ferramentas e salvar todo o trabalho que for feito para acessá-lo depois de qualquer lugar e por qualquer equipamento conectado à internet.

CONFIANÇA – A premissa dessa opção, na opinião do professor Waldredo, é muito mais de confiança do que propriamente de segurança. Por isso, entende ele, que a questão central é: “Você confia no seu dado guardado lá?A resposta, ou a decisão, é de cada um”. Mesmo assim é importante considerar, segundo explica, que é possível ao usuário/cliente obter um nível elevado de proteção criptografando com uma chave exclusiva sua os dados cuja guarda terceiriza.

Já o professor Luiz Maurício Martins, ao falar sobre governança em Tecnologia da Informação, fez questão de frisar que a área de TI, seja nas empresas ou órgãos públicos, “não mais se resume a software e hardware”. Passou a ter, na sua opinião, papel ainda mais relevante desde que a governança entrou na pauta das grandes empresas e organizações, em todo o mundo.

RAPIDEZ – PhD em Ciência e Tecnologia da Informação pela Universidade de Coimbra, Portugal, e há 20 anos ministrando cursos nas áreas de gestão, inovação e tecnologia, ele exemplificou que não por acaso as 100 maiores empresas do planeta hoje investem cerca de 11% de seus orçamentos para se tornarem competitivas. Agem assim ao permitirem que suas áreas de TI não se limitem mais a organizar e guardar informações, mas principalmente para que processem rápido e forneçam dados relevantes capazes auxiliar diretamente a tomada de decisões práticas, em minutos, em tempo real.

“Governança é direção, é controle, por isto tornou-se estratégico para as organizações”, reforça o professor ao comentar que na administração pública federal a governança de Tecnologia da Informação evolui ainda timidamente no Brasil. Faz-se necessário, defende ele, difundir mais o novo conceito. “TI não é só uma ferramenta, é um dos principais ativos da transformação da administração pública, pois deixa de ser um objeto de gestão para ser objeto de governança”, completa.

Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal da Paraíba, mestre e doutor em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o professor Guido Lemos traçou, em sua palestra no seminário, um panorama sobre a implantação e expansão da rede de fibra ótica no Estado para transmissão de dados. E falou também sobre projetos exitosos, já com aplicações testadas, desenvolvidos por pesquisadores do Núcleo Lavid do Centro de Informática (CI) da UFPB.

PROJETOS – Entre os projetos do Lavid estão o Suíte VLibras- conjunto de aplicativos que faz a tradução de todos os conteúdos digitais (texto, áudio e vídeo) para Libras, a Linguagem Brasileira de Sinais, e que deve beneficiar cerca de 10 milhões de brasileiros com algum grau de deficiência. O Governo brasileiro, por meio do Ministério do Planejamento, já assegurou a implantação do Suíte VLibras em todos os sites da administração federal.
Com seleção de pesquisadores bolsistas recém concluída, um outro projeto chamado “Evolução de plataformas de vídeo colaboração 4K” oferecerá serviço baseado em software para prover videoconferências UHD ponto-a-ponto e multi-ponto. Seu uso já foi testado com grande sucesso na área de saúde, em transmissão de cirurgias, e na cultura, com exibição simultânea e ao vivo de espetáculos de música e dança em países e até continentes diferentes. A tecnologia 4K tem definição quatro vezes melhor que da TV digital e blu ray).

foto TI 6

Para o professor Guido Lemos, o seminário “foi uma iniciativa importante para demonstrar que existe disposição de criar condições para a inovação”. E completou: “Eventos assim aproximam, precisam acontecer mais vezes porque os gestores estão fisicamente próximos, mas ainda distantes quando falamos de compartilhar experiências com novas tecnologias”.

TI 7

O professor Leandro Marinho, do departamento de sistemas e computação da Universidade Federal de Campina Grande e doutor em Ciência da Computação pela Universidade de Hildesheim, na Alemanha, falou sobre Banco de Dados e Business Intelligence. Ele destacou a importância da mineração de dados como suporte às decisões das instituições públicas e organizações privadas. E citou, a propósito, diversos exemplos de que sua aplicação já resultou em acertos, de até 100%, sobre resultados esportivos e eleitorais pelo mundo.

foto TI 4

Promovido pelo TCE, por meio de duas de suas unidades – a Ecosil (Escola de Contas Conselheiro Otacílio Silveira) e o Centro Cultural Ariano Suassuna, o seminário foi destinado aos gestores públicos, servidores do TCE, chefes de Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação, Engenheiros de Sistemas, Gerentes de Rede e Técnicos em Informática do poder Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Codata, Secretaria Estadual de Finanças, as prefeituras municipais de João Pessoa e Campina Grande, além da Federação dos Municípios da Paraíba – Famup.

Ascom/TCE-PB (CarlosCésar)

29.07.2015

Compartilhe: