Editor do Correio das Artes relaciona equipamento do TCE entre mais importantes

Centros culturais: artigo publicado na edição de 6 de dezembro de 2014 do jornal A União

“O conselheiro Fábio Nogueira credencia seu nome no rol dos grandes feitos culturais da Paraíba com a construção do Centro ‘Ariano Suassuna’.”

William Costa

A cidade de João Pessoa está capacitada para receber eventos artístico-culturais de qualquer porte. Ou seja, a capital tem suporte físico para qualquer dimensão estrutural de uma proposta estética. Aqui temos já em funcionamento, por exemplo, o moderníssimo Centro de Convenções “Poeta Ronaldo Cunha Lima”, o moderno e recém-reformado Espaço Cultural “José Lins do Rego” e o tradicionalíssimo e também recém-restaurado Teatro Santa Roza.

Outro equipamento que orgulha a cidade é a Estação Ciência, Cultura e Artes, por si só também uma obra de arte, por ter seu projeto assinado por ninguém menos que Oscar Niemeyer, ícone da arquitetura em escala internacional. Podemos citar, ainda, o Centro Cultural de São Francisco, o Tropical Hotel Tambaú, o Zarinha Centro de Cultura e os espaços oferecidos pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Social do Comércio (Sesc).

Não bastassem todos esses equipamentos, o presidente do Tribunal de Contas da Paraíba, conselheiro Fábio Nogueira, anuncia, para 19 deste mês, a inauguração do Centro Cultural “Ariano Suassuna”. Com projeto arquitetônico de Expedito Arruda, o complexo inclui o Auditório “Celso Furtado”, o Salão de Exposições “Lynaldo Cavalcanti” e a Biblioteca “Otávio de Sá Leitão”. Sob a fachada, “Acahuan”, escultura em ferro do artista visual Wilson Figueiredo.

Da agenda de inauguração do Centro Cultural do TCE-PB consta, entre outros eventos, a abertura de exposições de obras de arte assinadas por familiares de Ariano, entre eles, Zélia de Andrade Lima e Dantas Suassuna, viúva e filho do escritor. Portanto mais uma justíssima homenagem que se presta ao inesquecível autor do “Romance d’A Pedra do Reino” e do “Auto da Compadecida”, que nos deixou em 23 de julho deste ano.

A criação e a restauração de centros culturais abre uma perspectiva de demanda de eventos artísticos. Ou seja, uma obra de pedra e cal por si só não significa o incremento da atividade cultural. Faz-se necessário dar vida e sentido a esses templos, contemplando-os com programações de qualidade, diversificadas e de acesso democrático – ou seja, abertas à população em geral, preferencialmente gratuitas ou a preços módicos, como se dizia antigamente.

Penso que seria uma experiência interessante caso gestores de centros culturais (públicos ou privados) ousassem inverter a ordem natural das coisas e apresentassem, eles mesmos, aos artistas, propostas de espetáculos inéditos, elaborados exclusivamente para estrear em um determinado espaço. Tal iniciativa, aliada aos editais de incentivo, impactaria, positivamente, no mercado local de bens culturais. Artista precisando disso é o que não falta.

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