“Coisa de Ariano”: jornalista revela impressão sobre equipamento cultural do TCE-PB

COISA DE ARIANO

Artigo escrito pelo jornalista Gonzaga Rodrigues; publicado na edição do dia 7 de dezembro de 2014 no Jornal da Paraíba.

Não deu pra notar que haviam sumido com o Clube dos Sargentos, reduto esquecido de antigos carnavais, esconderijo baldio de fantasmas há muito desaparecidos.
É difícil você não notar uma construção, salvo na selva fechada de espigões da cidade litorânea.
Passo sempre ali em demanda do Laureano, da feira verde e sempre fresca de Jaguaribe, e algumas vezes do Tribunal de Contas, e nunca cheguei a notar a mais discreta mudança.
Pois bem. Convidam-me para conhecer o novo Centro Cultural Ariano Suassuna, anexo ao TCE, e aí já vai se descortinando a obra. Coisa de romanceiro armorial, de história fantasiosa do vezo arianista.
Num abrir e fechar de olhos, o que era galpão em sossegado abandono, alonga-se numa radiante e ampla galeria para exposições, que se destampa, a bom espaço, para um auditório de 420 lugares, a meia lua do palco, aberto a conferências, atos solenes e espetáculos de arte e cultura. Tudo na medida grande, mas sem exagero.
Celso Furtado, único grande pensador paraibano de recorrência mundial, até agora sem praça nem beco, somente lembrado por uma placa no auditório da Academia Paraibana de Letras, batizará o auditório; Linaldo Cavalcanti, a galeria e Octávio de Sá Leitão a biblioteca.
Pareceu-me ser convidado para um encontro preliminar a qualquer coisa ou projeto e até me preparei para, no caso de alguma sugestão, atiçar o poderoso prestígio do Tribunal na defesa de nossas festas de raiz popular, como os caboclinhos, o pastoreio, o bumba-meu-boi, a Catarineta, ludismo que a cultura portátil do smartfone e dos tablets não puxa para as suas telas.
Quando entrei, tomei um gole de água e respirei, já fui me vendo flutuar na nave de efeito Sputnik, lançada, surpreendentemente, pelo jovem presidente Fábio Nogueira. É de homens como ele que o resgate arquitetônico do Ipase e a instalação do Museu Histórico da Paraíba estão esperando.
Ao núcleo principal do Centro vem se agregar a Escola de Contas, com quatro salas de aula, além da biblioteca já mencionada. Dispõe de garagem para 170 veículos e de um distrito integrado de segurança, com policiais civis e militares e bombeiros permanentes.
A gestão será compartilhada com a UEPB, que cuidará da programação de eventos e da administração.

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