Manifestação de Pesar por Ariano Suassuna

Tomado pelo sentimento irreparável das grandes perdas, o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba associa-se às manifestações de dor de todo o País, em razão da morte de Ariano Suassuna. E assim o faz com o pranto dos que lamentam, de modo mais profundo, o desaparecimento de um irmão, filhos que somos da mesma Paraíba.

O vulto que a partir de agora nos falta ao convívio não se fez grande e importante apenas em razão do talento pessoal com que deu cores, vida e fôlego a figuras valiosas e inesquecíveis da literatura e da dramaturgia brasileiras. Não se fez, assim, também, pela promoção, unicamente, dos valores históricos e culturais do Nordeste brasileiro.

Isso, por maior que tenha sido a importância de iniciativas a exemplo do Movimento Armorial, o bem sucedido propósito da construção de uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular. Pernambuco, que em certo tempo o acolheu de melhor forma, após os lamentáveis acontecimentos dos anos de 1930, bem o sabe. Foi e é testemunha viva da ressonância do gênio criador de Ariano na literatura, no teatro, na música, na dança e nas artes plásticas.

Há, inclusive, quem por ali fale da influência do Movimento Armorial nos traços de uma nova arquitetura. Mas a dimensão de Ariano Suassuna pode ser avaliada, sobretudo, pela promoção da alma nordestina, pelo apego irreparável aos modos, aos hábitos, à fala e ao sotaque da gente simples do interior, de onde ele extraiu os seus heróis, os personagens que encantaram e encantam o mundo.

Uma frase lapidar expõe, de forma clara e evidente, sua conhecida aversão a expressões da língua inglesa aplicadas no dia a dia das relações pessoais neste Brasil imenso e tropical: “Não troco meu oxente pelo OK de ninguém”.

Esta é, em sua plenitude, a figura humana extraordinária, incomparável, que reverenciamos e a cuja família – Dona Zélia e filhos – expressamos nosso mais profundo pesar.

Conselheiro presidente Fábio Túlio Filgueiras Nogueira

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